Encontro Nacional de Jovens Trabalhadores

Luta organizada <br>pelos direitos

Sob o lema «Pelos Direitos, Organizar e Lutar», a JCP realizou sábado, no Clube Estefânia, em Lisboa, um Encontro Nacional de Jovens Trabalhadores.

Jovens trabalhadores sem perspectivas de futuro

No Clube Estefânia, realizou-se em 2005 uma iniciativa dos jovens trabalhadores de Lisboa, numa altura em que a realidade dos call-centers em Portugal preconizava já um ambiente de grande exploração. Dez anos passados, este problema voltou a estar presentes nas várias intervenções, sendo um dos maiores exemplos de instabilidade laboral, em que os trabalhadores, a maioria jovens licenciados, são extremamente mal remunerados e não têm qualquer perspectiva de futuro.

Mas este não foi o único exemplo denunciado. Ao longo do dia foi possível ouvir testemunhos de jovens que se formam na área da saúde, a quem é negado o acesso ao emprego vendo-se por isso forçado a emigrar, ao mesmo tempo que a qualidade dos serviços prestados à população diminui.

Relatados foram também casos de trabalhadores da área da comunicação social, arquitectura, advocacia, hotelaria, sem nunca esquecer os muitos outros que vêem, todos os dias, os seus direitos serem-lhe retirados.

A este propósito, Rita Rato, deputada do PCP na Assembleia da República, falou dos «falsos recibos verdes», que funcionam, na prática, como se o trabalhador tivesse um vínculo efectivo, mas sem qualquer dos direitos inerentes.

Durante os trabalhos, apelou-se ainda à participação de todos os jovens trabalhadores nas futuras acções de luta, como é o caso da Marcha Nacional de 23 a 28 de Março, convocada pelo Conselho Nacional da CGTP-IN, sob o lema «Juventude em Marcha – Trabalho com Direitos! Contra a Precariedade e a Exploração», que culminará, no dia Nacional da Juventude (28 de Março) com uma manifestação em Lisboa.

Importantes vitórias
para a juventude

Num tempo em que se verifica um ataque brutal à legislação laboral e à contratação colectiva, o Encontro valorizou as lutas desenvolvidas um pouco por todo o País, como aconteceu na Bosch, na Portway, na GroundForce, na TAP, na EDP, na STCP, no Metro de Lisboa, assim como em muitas empresas, em que a união dos trabalhadores, organizados nos seus sindicatos, conseguiu importantes vitórias para a defesa dos seus direitos e dos seus postos de trabalho.

Neste sentido, destacou-se a importância da acção nas empresas e locais de trabalho, a necessidade de organizar os trabalhadores no movimento sindical unitário e de classe, ressalvando o papel dos jovens comunistas, num trabalho de agitação e reivindicação, de conhecimento da realidade e da proposta de uma política alternativa, patriótica e de esquerda.

Paulo Raimundo, da Comissão Política do PCP, acentuou por isso a necessidade de não apenas derrotar este Governo, mas sim «a política de direita», levada a cabo por PS, PSD e CDS. «Cada pedrinha que metemos na engrenagem [do sistema] é um enorme avanço» para a construção da alternativa, sublinhou.

Por seu lado, Luísa Araújo, do Secretariado do PCP, enfatizou os «avanços significativos, nos últimos 15 a 20 anos, na organização da juventude trabalhadora». A terminar, falou sobre a alegria de viver e de lutar, e da felicidade pela qual todos os comunistas lutam, o que está presente no dia-a-dia da organização revolucionária da juventude, a JCP.




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